Carlos Von Sohsten


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Natal/RN
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Carlos Von Sohsten

Administrador, com MBA em Gestão de Negócios pela FGV, Pós-Graduado em Marketing pela UnP e Especializado em Controladoria, Finanças e Administração de Marketing pela FGV.


Artigos


"Educação Financeira na escola"

"Educação Financeira na escola"


Como falar sobre dinheiro com crianças e jovens em sala de aula?

Como abordar um assunto tão delicado e recheado de tabus e preconceitos de forma institucionalizada na escola? Qual a importância de ensinar jovens e crianças a cuidar do dinheiro? Que questões devem ser reforçadas para que o conteúdo seja mais bem assimilado? No artigo abaixo, iniciamos uma discussão sobre o assunto.



Decidir falar sobre dinheiro para crianças e adolescentes em sala de aula não é uma das decisões mais fáceis para uma escola tomar. A influência do meio familiar, as experiências de vida, a classe social, a religião, entre outros fatores, são determinantes no processo de formação desses indivíduos. Bem como, na constituição de seus conceitos, ou preconceitos, valores, ideias, crenças e atitudes. E, tudo isso junto pode se transformar em um caldo bastante indigesto para um professor ou para uma estrutura pedagógica despreparada.


Todavia, omitir-se diante da necessidade de transmitir um ensinamento tão importante é prestar um serviço para o educando, para a família e para toda a sociedade.


Infelizmente, ainda há educadores que resistem. Preferem adotar a linha do "isso não é comigo" e manter um esquema educacional decadente, que privilegia conteúdos distantes da realidade, focados exclusivamente na necessidade da aprovação na prova do vestibular. Quem decorar mais entra na universidade. E não, quem está mais preparado para o exercício de uma profissão.


Sei que o tema da Educação Financeira é recheado de tabus, de cargas emocionais, de conteúdos culturais e religiosos. Falar de ganhar dinheiro, das diferenças entre ricos e pobres e de caridade, ainda deixa muita gente de cabelo em pé. Como se esses assuntos não estivessem estampados na face da nossa sociedade.


Ligue a televisão, acesse um site na internet, entre no game do seu filho, e lá estará o assunto sendo abordado. Nem sempre de maneira apropriada.


Não seria melhor, então, contextualizá-lo, tratá-lo, eliminar distorções, e transmiti-lo com cuidados e atenção em sala de aula?  Aprender sobre os aspectos básicos do uso e controle do dinheiro pode ser uma das coisas mais importantes para o futuro de uma criança.


"Dinheiro não é tudo na vida." Não pode ser encarado como o objetivo final. A riqueza é uma ideia muito mais ampla. (Reforçar alguns princípios é necessário: a) Dinheiro não compra felicidade. Nem saúde. Nem amor. As coisas mais valiosas da vida não são conquistadas através do dinheiro. b) Ser "rico" não é apenas "ter" dinheiro ou outras coisas materiais. Há pessoas que são "ricas" de família, de amigos, de valores nobres, de consciência limpa, de caráter, de alegria. c) Aprendera lidar com dinheiro não significa acumular dinheiro; ficar milionário ou coisa do tipo. d) Quando mal utilizado o dinheiro pode ser fonte de problemas e infelicidade. e) Ter controle do dinheiro independe de ter muito ou pouco recursos financeiros. Educação financeira é uma questão de qualidade de vida.


f) Aprender mais sobre economia doméstica implica em aprender a dar valor ao que se tem. Desenvolver disciplina financeira, controlar os gastos e evitar dívidas. Fazer um orçamento e gastar somente o que se ganha. Ser econômico e poupador. g) Quem cuida bem das finanças pessoais também está cuidando do planeta. h) Entender esse assunto é respeitar o próximo e compreender o significado das diferenças - (podendo agir para mudar o que não está bom para todos) Jovens que desenvolvem consciência financeira pensam no futuro, planejam, tornam-se mais responsáveis, olham para o longo prazo de suas vidas. Fogem do consumismo, não valorizam o que é fútil, ficam longe de atividades que possam comprometer seus objetivos e futuro.


Isso é Educação Financeira na escola: contribuir para que o conhecimento ofereça aos alunos uma visão realista do mundo, ampliando as possibilidades e chances de auto realização. Autonomia e equilíbrio. Liberdade de escolhas. Solidariedade. Felicidade.


A escola que assumir essa responsabilidade receberá o reconhecimento de muitas gerações. E, terá colaborado efetivamente para uma sociedade mais justa e desenvolvida.


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