Cia Ballet de Cegos


Cia Ballet de Cegos

São Paulo/SP


Cia Ballet de Cegos

A Associação de Ballet e Artes da Fernanda Bianchini existe desde 1995 e é reconhecida mundialmente por um método pioneiro desenvolvido pela bailarina e fisioterapeuta Fernanda Coneglian Bianchini Saad. É o único Ballet profissional de cegos no mundo.


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A Associação Fernanda Bianchini é responsável pela Cia. Ballet de Cegos, com cerca de 20 bailarinos, considerado o primeiro grupo de ballet do mundo formado por deficientes visuais.

 

A companhia já se apresentou em vários países, como Argentina, Inglaterra, Alemanha, Polônia, EUA, México e Chile, e em diversos estados brasileiros, com destaque para a participação na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012. Em 2015, a Associação e o trabalho desenvolvido pela Cia. foram tema do documentário “Olhando para as Estrelas”, do cineasta Alexandre Peralta, produção que recebeu diversos elogios da crítica especializada pela abordagem sincera, delicada e inclusiva sobre o trabalho dos dançarinos cegos.

 

Reforçando seu profissionalismo e minimizando o estigma de que um ballet de cegos seja amador, a Cia. reflete a disciplina e dedicação por parte dos bailarinos ao incluir em seu repertório clássicos como Coppélia, Quebra-Nozes e Dom Quixote, coreografias que demandam exaustivos ensaios e técnicas apuradas.

 

Tudo começou ainda na adolescência, quando a jovem Fernanda, acompanhando o pai que prestava serviços para o Instituto de Cegos Padre Chico, primeira escola para cegos da capital paulista, teve o seu primeiro contato com a questão dos deficientes visuais. Na ocasião, ainda vestida com roupas de bailarina, pois seguiu para o local logo após o término de sua aula de ballet, chamou a atenção de uma freira que a convidou para dar aulas para as alunas da instituição.

 

Incrédula e sem saber como ensinar uma técnica que alia corpo e espaço para deficientes visuais, porém motivada por valores pessoais e familiares que sempre estimularam o olhar para os mais necessitados, Fernanda aceitou o desafio e levou a missão como projeto de vida. 

 

A partir desse primeiro contato, Fernanda foi gradativamente entendendo as necessidades e adaptando as técnicas de ensino de ballet para cegos, detectando os benefícios pessoais e terapêuticos obtidos pelos alunos - como a melhoria postural, sensorial e espacial -, além da elevação da autoestima, da autoconfiança e como vetor para o combate ao preconceito existente.

 

Em 2004, fundou a Associação de Ballet e Artes Fernanda Bianchini com o objetivo de levar o ballet clássico para todas as crianças e adolescentes cegas do Brasil, ampliando o atendimento que já prestava no Instituto de Cegos Padre Chico. Como resultado dessa vivência, Fernanda criou, em 2005, o primeiro e até hoje único método de ensino de ballet clássico para cegos de todo o mundo, foco de sua tese de mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

Em 2011, época na qual sua associação já estava consolidada no ensino de dança para cegos, Fernanda foi surpreendida por uma avó que gostaria de matricular sua neta com síndrome de Down. “Você vai falar não para minha neta?”, foi a pergunta que abriu as portas para a Associação ampliar seu atendimento e acolhimento para outros tipos de deficiência e também para não deficientes, iniciando um processo conhecido por inclusão às avessas, quando a convivência e prática de qualquer atividade não é delimitada por questões físicas ou de saúde.

 

Hoje, a Associação Fernanda Bianchini promove uma série de atividades voltadas para diversos públicos - que inclui desde ballet clássico, passando pela dança de salão, até o Hip hop, yoga e musicalização com professores deficientes visuais, - além de  teatro e uma agenda voltada para familiares e acompanhantes dos alunos.

 

05/2024



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