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Roberto DaMatta

Roberto DaMatta

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Roberto Augusto DaMatta é Antropólogo, Conferencista, Consultor, Colunista, Produtor de TV e Pensador Sociólogo. É Professor Titular de Antropologia Social do Departamento de Ciências Sociais da PUC/RJ e Professor Emérito da Universidade de Notre Dame, ocupando a cátedra Reverendo Edmund P. Joyce.

 

Graduado e licenciado em História pela UFF, Roberto possui especialização em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ, bem como Mestrado e Doutorado pela Universidade de Harvard. Foi chefe do departamento de Antropologia do Museu Nacional e coordenador do seu programa de pós-graduação em Antropologia Social. 

 

 

Em 2001, recebeu a Ordem do Mérito. Roberto realizou pesquisas etnológicas entre os índios Gaviões e Apinayé. Foi pioneiro nos estudos de rituais e festivais em sociedades industriais, tendo investigado o Brasil como sociedade e sistema cultural por meio do carnaval, do futebol, da música, da comida, da cidadania, da mulher, da morte, do jogo do bicho e das categorias de tempo e espaço.

 

Considerado um dos grandes nomes das Ciências Sociais no país, é autor de diversas obras de referência na Antropologia, Sociologia e Ciência Política, como Carnavais, Malandros e Heróis, A casa e a rua ou O que faz o brasil, Brasil?.

 

Em 1974, Oswaldo Caldeira realizou para o Ministério da Educação e Cultura, com finalidades didáticas, o documentário Aukê. O filme é uma aula de Antropologia, baseada em um estudo feito em 1970 por Roberto, chamado Mito e anti-mito entre os Timbira, que conta o surgimento do homem branco do ponto de vista indígena. O próprio Roberto apresenta e explica seu trabalho ao longo do filme, que foi selecionado e exibido no Festival de Brasília de 1975.

 

Uma das maiores influências de Roberto é o antropólogo estadunidense David Maybury-Lewis (grande especialista da etnia Xavante), a quem auxiliou durante seus estudos na Universidade de Harvard nas décadas de 60 e 70. A obra de Roberto também estabelece importantes diálogos com os franceses Claude Lévi-Strauss, Louis Dumont, Émile Durkheim e Alexis de Tocqueville (este, amplamente citado no famoso ensaio sobre o "Sabe com quem está falando?" e o "jeitinho"), o escocês Victor Turner e, especialmente, com os brasileiros Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Roberto Cardoso de Oliveira.


Síntese de pensamento

 

Estudioso do Brasil, de seus dilemas e de suas contradições, bem como de seu potencial e de suas soluções, Roberto não se afasta de seu país mesmo ao desenvolver outros temas. A comparação com o Brasil é inevitável em suas obras. O antropólogo revela o Brasil, o seu povo e a sua cultura através de suas festas populares, manifestações religiosas, literatura e arte, desfiles carnavalescos e paradas militares, leis e regras (quando respeitadas e quando desobedecidas), costumes e esportes. Surge daí um Brasil complexo, que não se submete a uma fórmula ou esquema único. Para Roberto, o Brasil é tão diversificado como diversificados são os rituais, conjunto de práticas consagradas pelo uso ou pelas normas, a que os brasileiros se entregam.

 

Todos esses temas são abordados em sua relação com as espécies de sujeito – o indivíduo e a pessoa, e situados em 2 tipos de espaço social: a casa e a rua. A distinção entre indivíduo e pessoa é bem demarcada em seu original trabalho sobre a conhecida e ameaçadora pergunta: Você sabe com quem está falando?. Os seres humanos que se sentem autorizados a se dirigir dessa forma aos outros, colocam-se na posição de pessoas: são titulares de direito, são alguém no contexto social. Os seres humanos a quem tal pergunta é dirigida são, para as pessoas, meros indivíduos, mais um na multidão, um número.

 

A rua é o espaço público. Como é de todos, não é de ninguém: logo, tem-se ali um espaço hostil onde não valem as leis e os princípios éticos, a não ser sob a vigilância da autoridade. A convivência na rua depende de uma negociação constante entre iguais e desiguais. A casa, considerada num sentido amplo, é o espaço privado por excelência, onde estão "os nossos", que devem ser protegidos e favorecidos, e aqui Roberto retoma e atualiza o conceito de homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda.


Bibliografia

 

* Índios e castanheiros (com Roque de Barros Laraia), 1967;

* Ensaios de antropologia cultural, 1975;

* Um mundo dividido: a estrutura social dos índios Apinayé, 1976 (em inglês: 1982);

* Carnavais, malandros e heróis, 1979 (em francês: 1983; em inglês: 1991);

* Universo do carnaval: imagens e reflexões, 1981;

* Relativizando: uma introdução à antropologia social, 1981;

* O que faz o brasil, Brasil?, 1984;

* A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil, 1984;

* Explorações: ensaios de sociologia interpretativa, 1986;

* Conta de mentiroso: 7 ensaios de antropologia brasileira, 1993;

* Torre de Babel: ensaios, crônicas, críticas, interpretações e fantasias, 1996;

* Águias, burros e borboletas: um ensaio antropológico sobre o jogo do bicho, 1999;

* Profissões industriais na vida brasileira, 2003;

* Tocquevilleanas, notícias da América, 2005;

* A bola corre mais que os homens: 2 Copas, 2006;

* Fé em Deus e pé na tábua: como e por que o trânsito enlouquece no Brasil, 2011.

 

Além de sua obra em livros, Roberto possui centenas de artigos e ensaios em revistas científicas e coletâneas, bem como verbetes em dicionários e enciclopédias no Brasil e no exterior, publicados a partir de 1963. Mantém uma coluna semanal no jornal carioca O Globo.


Séries para TV

 

* Os brasileiros (Manchete, 1983, autoria e produção);

* Nossa Amazônia (Bandeirantes, 1985, autoria), direção de Cacá Diegues.

 

07/2019


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